Por que você não deve ensinar seu filho a compartilhar

Um dos princípios da educação na primeira infância é ensinar as crianças a se darem bem, o que normalmente remete a ensinar a compartilhar e dividir. Se você, algum dia, já viu três crianças brincando, você sabe que mesmo que haja 10 brinquedos, todas elas vão querer o mesmo, e é aí que acontece a explosão de choro quando uma das crianças não consegue pegá-lo.

Mas talvez dividir não devesse ser um objetivo da educação infantil. Existe um novo movimento alertando para não ensinar os filhos a compartilhar. Ele tem ganhado força e aceitação pelos pais de crianças pequenas.

Não ensine seu filho a compartilhar

“Forçar crianças a compartilhar não ensina as lições que nós queremos que elas aprendam”, diz Dra. Laura Markham, autora do mais recente lançamento “Peaceful Parent, Happy Siblings” (“Pais tranquilos, irmãos felizes”, em português). “Vamos concordar que o objetivo é que nossas crianças cresçam e se tornem pessoas generosas, que sejam capazes de perceber e corresponder com as necessidades dos outros.” Na primeira fase da educação, a criança está aprendendo a ser capaz de reconhecer as próprias obrigações, o que, neste ponto das suas vidas, inclui fazer suas atividades e brincar nos seus círculos sociais. “Nós não queremos que as nossas crianças sintam que devem interromper seu trabalho para ‘dar’ alguma coisa para outra criança só porque ela pediu”, acrescenta a Dra. Markham.

De acordo com ela, em vez de ensinar as crianças a falarem por si mesmas, ensinar a compartilhar, forçando-as, resulta apenas em:

– “Se eu chorar o bastante, eu consigo o que eu quero, mesmo que alguém já tenha pego.”

– “Os pais estão no controle de quando eu posso pegar o brinquedo, então dependendo do coração deles e da minha manha, eu posso simplesmente implorar pela minha vez.”

– “Meu irmão e eu estamos em constante competição para pegar o que nós precisamos. Eu não gosto dele.”

– “Eu acho que eu sou uma pessoa gananciosa, mas é isso que eu preciso ser para ter o que eu mereço.”

– “É melhor eu brincar rápido e de qualquer jeito, mesmo que seja descuidadamente e quebrando tudo, porque não terei este brinquedo por muito tempo.”

– “Eu ganhei! Mas logo vou perder de novo. É melhor eu protestar bem alto quando acabar a minha vez para aproveitar cada minuto que eu tiver. E depois, protestar de novo assim que acabar a vez do meu irmão. Se eu conseguir deixar meu pai ou minha mãe cansados, eu terei mais tempo com o brinquedo.”

No lugar de ensinar a compartilhar, ofereça recursos

Então, o que as crianças devem aprender? De acordo com a Dra. Markham, é preciso dar algumas ferramentas para que elas lidem com essas situações. “Nós queremos que nossas crianças PERCEBAM quando a outra quer brincar, e que elas GARANTAM que essa criança vai poder brincar”, diz. “E quando o outro tiver alguma coisa que a criança queira, nós esperamos que ela tenha o controle sobre seus impulsos e não arranque o brinquedo da mão dela, pelo contrário, queremos que ela use suas palavras para entrar em um acordo e poder brincar depois”.

Ao ensinar as crianças a se defender e falar por si mesmas (e não imediatamente compartilhar seus brinquedos), elas não estão esperando que alguém diga quando é a vez delas com o brinquedo e assim, podem brincar mais livremente. “A abordagem convencional, de forçar a criança a compartilhar, enfraquece a habilidade de aproveitar a brincadeira, além de minar a relação com o irmão, criando competição constante”, explica a Dra. Markham. “A criança acaba não absorvendo a experiência da satisfação e nem da generosidade com o outro”.

Então o que os pais e os educadores devem fazer?

“Eu encorajo para que haja uma autorregulação dos turnos com os brinquedos, então, é a criança que decide por quanto tempo brincar e assim, aproveitar completamente. Depois disso, ela pode dar para a outra de coração aberto”, diz a Dra. Markham. Ela acredita que isso ajudará a criança também com a sensação de satisfação por fazer outra pessoa feliz, acabando por ensinar a generosidade. Por sua vez, ela acredita que a experiência mais educativa ensina que:

– “Eu posso pedir o que eu quero. Algumas vezes eu consigo o brinquedo mais rápido e às vezes eu preciso esperar um pouco.”

– “Tudo bem chorar, mas isso não significa que eu vou conseguir o brinquedo.”

– “Eu não consigo tudo o que eu quero, mas eu consigo algo melhor. Meus pais sempre me entendem e ajudam quando fico para baixo.”

– “Depois de chorar, eu me sinto melhor.”

– “Eu posso brincar com outra coisa e aproveitar também. Estou ficando bom em esperar!”

– “Eu não tenho que chorar para convencer meus pais para dar a vez para mim. Todos têm que esperar pela sua vez, mas acabam conseguindo cedo ou tarde.”

– “Eu gosto de quando meu irmão me dá o brinquedo. Eu gosto dele.”

– “Eu posso brincar por quanto tempo eu quiser; ninguém vai me fazer entregá-lo para o meu irmão. Quando eu termino de brincar e dou para ele, me sinto bem por dentro. Eu sou uma pessoa generosa.”

No final, o resultado é uma criança paciente, empática e bem preparada para lidar com situações maiores do que essas no futuro.

Fonte: www.justrealmoms.com.br