Tirar as fraldas, tarefa delicada

A hora de tirar a fralda precisa ser escolhida com muita sensibilidade e, sobretudo, sem ansiedade. Aqui, a terapeuta ocupacional Clarisse Potasz fala sobre a importância da maturidade neurológica da criança neste momento.

Em geral, as fraldas começam a ser tiradas a partir dos dois anos, quando a criança já fala e entende aquilo que lhe é dito. Ela pode, assim, expressar à mãe sua vontade de fazer xixi ou cocô, espontaneamente ou quando lhe é perguntado. Porém, é muito importante você não ter pressa, pois maturidade neurológica e controle esfincteriano suficiente são decisivos nestes casos. Você pode comprar um peniquinho ou assento especial para o vaso sanitário, e começar pelas fraldas diurnas (as fraldas da noite, só um ano mais tarde).

Nem sempre a criança controla, ao mesmo tempo, a eliminação do xixi e do cocô. Assim, fique atenta à quantidade de líquidos que seu filho está ingerindo e sempre lhe pergunte se quer fazer xixi; ou então leve-o ao banheiro em intervalos regulares. Observe os horários em que ele costuma evacuar, para que possa colocá-lo no peniquinho a tempo. Esta é uma fase em que você, ou a pessoa que cuida do seu filho durante o dia, deve estar bastante disponível, sem agir, todavia, de forma ansiosa. O mais importante é observar seus hábitos, principalmente quanto à evacuação, e a partir daí educá-lo sanitariamente. Quando há prontidão neurológica e esfincteriana, tudo transcorre sem maiores problemas.

Cerca de um ano após a retirada das fraldas, a criança costuma estar pronta para ter também o controle noturno. Acostume-a fazer xixi antes de ir para a cama e acorde-a durante a noite para levá-la ao banheiro. O número de vezes vai depender, mais uma vez, da quantidade de líquido que ela tiver ingerido perto da hora de dormir. Essa etapa de aprendizado pode levar alguns meses, às vezes, até um ano. E mesmo assim, é possível que após esse período ela  deixe o xixi “escapar” algumas vezes. Em geral, não há maiores problemas. Mas se ela voltar a urinar na cama todas as noites, consulte o pediatra para verificar se não há qualquer problema clínico. Eliminada a hipótese, vale lembrar que a enurese noturna também pode ser a expressão de algum problema de ordem emocional. Mais uma vez, ouça o que o médico tem a dizer.

Uma vez retirada as fraldas, não se deve tornar a colocá-las em hipótese alguma. Isso comprometeria todo o esforço da educação sanitária. Aí está mais uma razão importante para não pressionar seu filho. Mas se até os três anos de idade não houver suficiente controle esfincteriano diurno, é recomendável pedir orientação específica ao pediatra.

Indica-se, ainda, que as fraldas não sejam tiradas cedo demais, o que pode provocar não apenas a enurese noturna, mas também o descontrole intestinal da criança, problema que pode ser relativamente difícil de corrigir. Não é excessivo repetir que a própria criança pode mostrar a sua mãe, por meio de sinais de maturidade, o melhor momento para aprender a ir ao banheiro. E de qualquer maneira, é saudável que ela seja familiarizada desde cedo com o uso do vaso sanitário pelos adultos e por crianças mais velhas.

Se seu filho começar a frequentar o maternal durante o período de treinamento sanitário, é essencial que a conduta da professora seja exatamente a mesma que a sua. Vale a pena deixar tudo claro com uma boa conversa, sendo fundamental os elogios. Você pode e deve usá-los como reforço positivo, desde que esteja especificamente relacionado à manifestação da vontade da criança ir ao banheiro. O elogio não pode ser relacionado simplesmente ao xixi ou cocô que ela elimina após ter expressado a vontade. O objetivo é levá-lo a um controle esfincteriano completo, e não somente incentivá-lo a eliminar seus resíduos fisiológicos. É essencial, ainda, que a criança não seja reprimida se acontecer algum “acidente” durante ou depois do processo de treinamento. O adulto também deve tomar cuidado de não manifestar repugnância às fezes ou ao xixi da criança.

Fonte: Escola Canarinho