Escola Canarinho, Brasília, feliz aniversário!

Unidade 706 Sul, em 1974
Unidade 706 Sul, em 1974

Em 1972, quando a família Cianni mudou do Rio de Janeiro para nova capital, encontrou uma cidade singular, resultado de um projeto liderado pelo presidente Juscelino Kubitschek. Contudo, ainda havia muito por fazer.

“Brasília nos surpreendeu por seus espaços abertos e o céu descoberto. Lembro que tinha barro vermelho no chão, a chuva que não parava, e apesar das carinhas assustadas das nossas três filhas, não sei explicar, para nós era uma aventura que começava”, recordam tia Ivete e tio Humberto, fundadores da escola. “A cidade recém-construída ainda estava se estruturando para atender às necessidades da comunidade. Foi neste momento que vimos a oportunidade de realizar um antigo sonho”.

Tal qual Oscar Niemeyer, que desafiou a arquitetura ao traçar linhas modernas para a capital, tia Ivete também apostou em inovação, só que para educação. A experiência pedagógica que trazia na bagagem mostrou que ensinar ia muito além do conteúdo. A escola que idealizou deveria fortalecer valores, formar cidadãos, sem deixar de lado a ludicidade e a diversão. “A criança feliz descobre o mundo brincando”. Este era o lema que guiava a sua mente e o seu coração.

A alegria também inspirou a escolha do nome Canarinho, sugerido por tio Humberto. Era a homenagem à seleção canarinho de futebol, que tanto orgulhou os brasileiros, e também ao famoso pássaro, que fascina com seu canto e com o amarelo vivo de sua plumagem.

E assim, no dia 2 de maio de 1974, a Escola Canarinho abriu suas portas pela primeira vez, em uma casinha na 706 sul.

 

Tradição em educação

Família Cianni unida: Thiago, Simone, Solange, tia Ivete, tio Humberto, Denise, Carol e Beto (da esq. p/ dir.)
Thiago, Simone, Solange, tia Ivete, tio Humberto, Denise, Carol e Beto

Desde que foi inaugurada, a escola cresceu com Brasília. Certamente, com o passar dos anos, a metodologia de ensino foi atualizada, contudo, a filosofia de “educar criança como criança” nunca mudou.

“Nossa mãe é um exemplo para toda a família. Ela sempre nos ensinou que o processo de aprendizagem deve ser algo prazeroso para a criança”, dizem as filhas, e também educadoras, Solange, Denise e Simone Cianni, segunda geração a assumir a direção da escola.

A mesma linha é seguida pela terceira geração, formada por Thiago, Carol e Beto Cianni. “Temos orgulho de poder dar continuidade ao sonho dos nossos avós de educar com sabedoria, alegria e amor. Aqui, na cidade onde nascemos e que tanto amamos, vamos seguir investindo no desenvolvimento de cada aluno, formando pequenos cidadãos”.

 

Muita história para contar

Na memória de inúmeros brasilienses, tanto os que nasceram aqui, como os de coração, a Escola Canarinho fez história e tornou-se referência em educação.

“Vim de São Paulo para Brasília em 1966, pois me apaixonei pela cidade. Nos anos 70, quando meus filhos nasceram, eu já ouvia elogios em relação ao Canarinho. Meu primeiro neto nasceu 26 anos depois, e então eu pude comprovar a qualidade da escola. Eles têm um jeito especial de acolher e de ensinar as crianças”, conta Yone, avó de Pedro e Sofia Borges.

A ex-aluna Catherine, matriculada em 1978, lembra com amor dos cinco anos que passou na escola. “No Canarinho eu aprendia brincando, sempre no meu tempo. Minha mãe conta que eu chorei muito quando saí, que eu dizia que ia crescer, virar mamãe e botar meus filhos lá, o que acabou acontecendo em 2017”. Os gêmeos Bianca e Davi Queiroz, agora com 5 anos, têm o mesmo carinho que a mãe pela escola, da qual sentem saudades. “Eu gosto dos amiguinhos, das tias, dos brinquedos, dos livros”, diz Davi. “Te amo, Canarinho”, finaliza Bianca.

Stella, mãe de Gianluca Rodrigues, escolheu o Canarinho no terceiro mês de gravidez. ”Fiz a reserva da matrícula com antecedência porque não queria perder a oportunidade de tê-lo nessa escola que amei desde a primeira visita! Meu filho começou com 5 meses e já são tantas as lembranças, histórias de encontros, parcerias, amor e acolhimento. Fico com os olhos cheios d’água quando penso no dia da partida! Agradeço a todos os funcionários e à direção por fazerem de meus dias momentos tranquilos, pois sei que minha maior preciosidade está em boas mãos!”.